Uma corintiana entre 43 mil são paulinos

sexta-feira, fevereiro 9

Era uma vez: Minha primeira vez em um estádio de futebol



Em todas as vezes que eu me imaginei em um estádio de futebol era em um jogo do meu próprio time, com direito a camisa e gritos junto a torcida. Mas, minha ida ao estádio pela primeira vez, em 01 de outubro de 2017, não foi do jeito esperado. Sou corintiana desde que me conheço por gente, não sou nada fanática como meu pai, meu avô e meus tios, mas, cresci com esse time e vou continuar torcendo por ele, independentemente de qualquer coisa, inclusive do namorado são paulino que deseja a todo custo que eu vire uma também. Por causa dele, e de uma aposta boba, que inclusive eu perdi, eu fui infiltrada,no meio de vários são paulinos loucos, no Morumbi, estádio do São Paulo Futebol Clube.

O domingo começou cedo, acordar, decidir se eu iria com uma camisa sem estampa ou com alguma outra, porque usar a camisa do time rival já é demais para mim e corro o risco de ser deserdada se meu pai ou meu avô me vissem. Depois separar as coisas que iria levar, segundo as recomendações dos mais experientes em estádio e acho que o mais importante, almoçar. Teoricamente a gente ia sair na hora do almoço, mesmo que no domingo o horário de almoçar fosse na hora do jogo, da pra comer uma coisa em casa antes pra aguentar durante o jogo, já que no estádio tudo é muito caro. Mas, as 14h da tarde, duas horas antes do jogo e horário que eu já precisaria estar no trólebus a caminho, estava saindo de casa para encontrar o Gabriel, meu namorado e quem me levaria ao jogo, e sem comer nada. Passei no mercado, já estava atrasada mesmo e uns minutos a mais não iriam me atrasar mais, comprei uma coca-cola 600ml, três salgadinhos torcida de churrasco, pimenta mexicana e bacon e um sneakers que mata a fome segundo a propaganda. Depois de encontrar com ele e passar uma hora sentada em um tróleibus até Diadema, finalmente iríamos pegar o ônibus que nos levaria até próximo do Morumbi em 20 minutos e não nos atrasaríamos para o jogo, nesse período já havíamos comido besteiras e conhecido alguns caras que também iriam pro jogo ver São Paulo e Sport disputar uma rodada do brasileirão. Começou a ser estranho desde a hora que entramos no transporte, que logo lotou de pessoas com camisas do time e que me olhavam por estar com uma camiseta de um time que provavelmente nenhum deles conhecia, meu time da faculdade, Filhas de Afrodite F.C. e talvez por eu ser uma das únicas quatro mulheres no ônibus a caminho do estádio. Entre papos de quantos gols São Paulo iria fazer, pedintes querendo comida, freadas bruscas do motorista, chegamos. Não ao lugar correto, porque o espertão do meu amor decidiu que não deveríamos descer onde todo mundo que ia para o jogo desceu. “O outro ponto é mais perto” disse ele, mas não era, finalmente descemos, já eram quase 15h30 e para mim estávamos perdidos, mas pedimos um carro da Uber e segundo o aplicativo em 10 minutos estaríamos lá, ufa! Só que não. Domingo em alguns lugares de São Paulo ruas são fechadas para carros e para a nossa alegria tivemos que dar algumas voltas com o senhorzinho simpático que dirigia o carro. 15h55 e finalmente chegamos, mas eu não esperava que teríamos que subir uma ladeira imensa para chegar até o portão 15, que acredito ser o mais longe.


Assim que chegamos precisei ficar sozinha para ser revistada na fila das mulheres e confesso que comecei a ter medo. Sempre vi em notícias que pessoas eram mortas em estádios, que apanhavam e eu medrosa que sou pensei que todos ali olhariam para mim e saberiam na hora que sou uma corintiana que não está torcendo para o time do coração de todo mundo ali ganhar. Enfim chegou a minha vez de ser revistada e a policial nem olhou na minha cara, muito menos a minha bolsa. Passei, o juiz deu o apito que a partida começaria e ainda não estávamos na arquibancada, demos uma leve corridinha e então eu vi um campo enorme e milhares de pessoas gritando. Que sentimento gostoso ver os jogadores correndo, a torcida inteira atenta a cada passe e vibrando com cada chute que poderia ser um gol. Nada ali se parece com a sensação de assistir uma partida pela televisão. Durante o jogo teve de tudo, grito de gol, o São Paulo ganhou de 1 a 0, vaia para os jogadores que já foram do time mas agora jogavam no Sport, vendedores com mercadorias de preços absurdos, os altões na frente tampando a vista, muito palavrão, acho que no estádio é o lugar onde mais se fala palavrão no mundo, nunca vi igual, o hino do São Paulo cantado por mais de 43 mil torcedores, crianças, adultos, pessoas de tudo quanto é jeito com o mesmo objetivo de ver o seu time ganhar e eu, olhando cada detalhe daquele lugar em que eu era uma formiga no meio de milhares.


Depois de comemorar a super defesa do Sidão, goleiro do time Paulista, fizemos uma foto para recordar o momento e estávamos indo embora quando a saga da fome começou. Havíamos comido apenas o salgadinho torcida e o chocolate, que não sustentam ninguém, por volta das 15h da tarde e já eram 18h e além das outras coisas que o fresco do Gabriel não come, a única opção de comida próxima ao estádio era a famosa pizza de 10,00 reais que vendia a cada 100 metros e com certeza não ia cair bem. Decidimos pedir um uber e iraté um shopping próximo para que pudéssemos comer, mas, sem sucesso. Na hora em que precisamos tudo da problema, inclusive o cartão, que nos impediu de pedir um carro pelo aplicativo e nos fez aderir ao plano b, ir de ônibus até o Shopping Morumbi. Das 43 mil pessoas que estavam no estádio, 40 mil decidiu pegar o ônibus e então além de estarmos com fome, estávamos “presos” ali e apenas uma hora depois conseguimos finalmente pegar o ônibus. O estresse já reinava, eu com fome viro monstro e não aguentava mais esperar e nem imaginar que ainda faltavam 2 horas, que eu mal sabia que virariam 3, para chegar em casa. Nem paramos para comer por motivos de falta de paciência e finalmente por volta das 22h chegamos ao tão aguardado sofá de casa, que nos tirou um pouco o cansaço do longo dia e comemos a comida deliciosa que acabou com o estresse, menos com a dor de cabeça de ficar sem comer muitas horas, essa passou depois. Depois de tudo isso cresceu em mim uma vontade de assistir vários jogos, principalmente o do meu time, no estádio e conhecer cada um dos que tem aqui no Brasil, mas, tomando vários cuidados para curtir muito o dia e não acabar quase passando mal, como foi o caso.


Fiz esse texto para um trabalho da faculdade e espero que vocês tenham gostado de acompanhar o meu dia conhecendo um estádio pela primeira vez. Vou colocar algumas fotos desse dia aqui em baixo. São poucas porque quase não tiramos fotos e ignorem as caretas hahaha



  



Beijos e até mais!

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